Fundo Amazônia recebe R$ 3,3 bilhões em doações
O valor foi anunciado pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante
Em processo de
retomada, o Fundo Amazônia pretende financiar projetos de proteção a povos
indígenas, de controle do desmatamento, combate ao garimpo ilegal e promoção do
ordenamento territorial da região, afirmou o presidente do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, após a
reinstalação do Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa), realizada na sede
do banco, no Rio de Janeiro. O comitê estava parado desde 2018.
Conforme
Mercadante, o fundo já recebeu R$ 3,3 bilhões em doações, como R$ 1 bilhão
provenientes da Noruega e R$ 200 milhões da Alemanha. No total, o fundo, gerido
pelo BNDES, acumula R$ 5,4 bilhões, com R$ 1,8 bilhão já contratado.
O presidente disse
ainda que foram liberados R$ 853 milhões para operações de comando e controle
coordenadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama), R$ 253 milhões para ordenamento territorial e R$ 244
milhões para ciência e tecnologia.
“O grande desafio é
sair do modelo predatório para o modelo de desenvolvimento sustentável na
Amazônia. E, para isso, nós precisamos de projetos estruturantes que
impulsionam uma nova dinâmica, uma nova indústria, uma agricultura de baixo
carbono, uma recuperação de pastos degradados. Esse é o grande objetivo
estratégico do governo e do fundo. São 28 milhões de pessoas que
precisam ter formas alternativas de vida, quando nós vamos combater,
de forma implacável, o processo de devastação e destruição da Amazônia”, disse.
Novos doadores
A ministra do Meio
Ambiente, Marina Silva, afirmou que o governo recebeu sinalização de interesse
da França, da Espanha e da União Europeia de doarem recursos para o Fundo
Amazônia. Na última semana, os Estados Unidos também manifestaram interesse em
participar.
Para a ministra, o
interesse de doadores de peso mostra a volta da política ambiental brasileira,
com participação e ações da sociedade civil, da comunidade científica e dos
governos estaduais e federal.
Sobre a
reinstalação do comitê, Marina Silva informou que há 14 projetos, datados de
2018 e estimados de R$ 480 milhões a R$ 600 milhões, já analisados e
qualificados para aprovação pelo fundo e que podem ter continuidade se o for o
desejo dos proponentes.
A ministra anunciou
ainda que o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal
(PPCDAm) será revisado e atualizado até abril, trazendo novas prioridades e
destinação de recursos. Até a apresentação desse plano, as ações
adotadas terão como base os critérios estipulados em 2018, quando o
fundo foi extinto pelo governo passado.
“Por unanimidade,
nós priorizamos, dentro do foco do que já está estabelecido, projetos para
atendimento à situação emergencial das comunidades tradicionais”, afirmou a
ministra, elencando os yanomamis, kayapós e mundurukus.
Dia histórico
Para a ministra dos
Povos Indígenas, Sônia Guajajara, o dia de hoje foi histórico. “É
muito importante e necessário retomar o Fundo Amazônia para que a gente possa
atender e tirar os povos indígenas dessa emergência em que a gente se
encontra hoje, depois desses quatro anos de abandono do governo federal”,
disse a ministra, acrescentando que os povos indígenas são responsáveis pela
proteção de 82% da biodiversidade mundial.
O ministro do
Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, destacou que o
fundo irá apoiar no reflorestamento de assentamentos na Amazônia e também de
áreas ilegalmente desmatadas nos últimos quatro anos. “Estamos recuperando um
tempo em que vamos recuperar a floresta amazônica, para que ela cumpra um papel
para o clima no Brasil e no mundo. Para isso, estamos convidando os
agricultores familiares, os assentados, a integrarem esse esforço de
recuperação dessas matas que foram destruídas”.
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ROMAN RAITER - JUSTIÇA AO OASE